Linguagem em ação

Este blog tem como objetivo, criar espaço para o debate, discussão e contribuições linguísticas, literárias e de linguagem. Participem!

sábado, 24 de abril de 2010

Erros...

Na primeira postagem disse que dedicaria uma postagem para falar de erros...
A nossa formação escolar sempre ditou, sobretudo, no que se refere ao estudo de língua portuesa, a noção de erro...essa noção perpetua até hoje...como professor fico imaginando o quanto os alunos sofrem com essa Língua Portuguesa...todos sofremos...ninguém fala corretamente todos os momentos e nos diferentes grupos em que fazemos parte, não utilizamos o mesmo registro de língua...errar faz parte de todo e qualquer tipo de aprendizagem.
A noção de erro, quando pensamos nos modelos educacionais que privilegiam a gramática como elemento principal de estudo da língua, é vista de forma a desconsiderar alguns aspectos fundamentais:
1º - Todos nascemos com uma gramática internalizada, logo, alguns princípios linguísticos do idioma já fazem parte da condição homem enquanto ser pensante e capaz de fazer escolhas...
2º - Quando insistimos em ensinar o que já faz parte da condição humana - a capacidade de se comunicar e se valer dela para atingir um determinado objetivo - tornamos o ensino da língua algo chato, monótono e sem sentido...afinal de contas, para que aprender o que já é naturalmente aprendido?
3º - As instituições - escola, concursos públicos, vestibulares etc,.- privilegiam a norma culta padrão em suas provas, o que incurte na cabeça dos estudantes de que existe uma norma única a ser seguida, quando essa não é seguida, poxa...errei...Carregamos conosco a amargura do medo de errar, antes mesmo de se permitir errar...
" O meu professor de língua portuguesa é mó intelectual, o cara num diz nada errado..." Nesse exemplo, encontramos elementos que fazem parte da modalidade oral e que em um determinado grupo, por exemplo, entre amigos, não caberia de outra forma, pois a formalidade em um ambiente descontraído, utilizar a língua descontextualizada é tornar a linguagem mecânica e sem espontâneidade...
Não quero aqui propagar um movimento contra o ensino da gramática, mas quero salientar que, embora a gramática e os dicionários sejam elementos fundamentais na configuração de um idioma, ela por si só não corresponde ao estudo pleno da língua e linguagem...posso dizer, linguagens...Precisamos saber as diferentes linguagens e utilizá-las nos diferentes contextos de uso...Assim, poderemos ser espontâneos entre amigos e mais formais, em uma reunião, no emprego etc...
Muitos linguístas ,e eu compactuo com eles, não veem transgressões comunicativas - problemas de concordância, por exemplo, como erros, mas como inadequações, pois a linguagem pensada geralmente trangride menos ao modelo institucionalmente privilegiado...essa discussão pode ficar mais filosófica...preciso me conter, mas será que não pensamos sempre? por que será que eu disse  que a linguagem pensada trangride menos? Todo ato linguistico é fruto de uma escolha, mas nem sempre realizamos a escolha certa no contexto certo, por isso que às vezes, ou inúmeras vezes trangredimos o modelo da norma culta padrão...
Nossa eu falo, escrevo muito...mas essa discussão ainda não acabou...
até a próxima postagem...

Voltei

Relutei, mas voltei...não tem como deixar de discutir a linguagem, a voz da nossa alma!

Um dia me questionaram...Existe erro?
A nossa alma erra? a condenamos? a martirizamos a ponto de não deixá-la fazer parte do corpo efêmero e material  da nossa vida? ...acredito que não...
A Comunicação privilegia um sentimento de  solidariedade que considera a alteridade a sua principal aliada...se conseguimos entender o outro e o que esse outro quis expressar, mesmo com os mais diferentes problemas de concordância, coesão e coerência, vocabulário, variantes linguísticas etc., é possível estabelecer a comunição e se houve comunicação e entedimento, não podemos qualificar o modo e a forma de expressão como erro, mas como inadequação...e a esse respeito, dedicarei um novo post!...