Linguagem em ação

Este blog tem como objetivo, criar espaço para o debate, discussão e contribuições linguísticas, literárias e de linguagem. Participem!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Preconceito linguístico e lexical

Hoje estou triste e pensei muito se deveria ou não postar algo...são tantas atribuições...mas tudo bem, aqui estou e falarei de algo que Marcos Bagno já tratara em um dos seus livros - O preconceito linguístico -, mas  não sob a mesma ótica...elucidarei o preconceito de forma lexical...Há muito tempo, observo as pessoas dizendo, judiação, coitadinho, sem pensar que ao manifestarmos esses vocábulos, inserimos inconscientemente ou não, ideologias que nem sempre compactuam o sentimento expresso no momento da enunciação.
Ao falarmos "judiação" fazemos referência aos judeus, e as atrocidades vivenciadas por esse povo ao longo da história...judiar, judiação são palavras que menosprezam a história desse povo...por outro lado, fico a pensar...será que ao enunciarmos essas palavras expressamos o sentimento de compaixão ou de dó, pena? embora o primeiro seja mais humano e desprovido de qualquer sentimento de desprezo ainda assim coloca a cultura desse posso e sua história em um patamar nada favorável, a final, compaixão é "sofrer com" e ao afirmarmos "judiação" queremos manifestar a ação de ser judeu, logo merecedora de dó? ...bem provalvel...acho que essa discussão poderá ir longe e ao certo trata-se de um de preconceito linguístico e enraizado a questões ideológicas...
Em relação à palavra coitado, encontramos a etimologia à palavra "coito", muito usado pelos poetas romantistas, coito do amor...quando dizemos coitado ou coitada, queremos dizer que pena, fizeram amor? acho que não, não é? Faz-se necessário afirmar que os efeitos de sentido das palavras mudam de acordo com o contexto de uso, época, cultura etc..., mas que muitas palavras estão carregadas de preconceitos, isso é verdade incontestável. Vale a dica de nos policiarmos, buscar na etimologia respostas para as nossas dúvidas lexicais e conhecer riquezas presentes no fundo do mar...
Querem saber o motivo da minha tristeza?
Percebi que muitas pessoas não vivenciam mais o sentimento de compaixão, solidariedade e empatia...talvez se conhecessem a etimologia dessas palavras, pudessem vivenciar no dia-a-dia bons sentimentos...

sábado, 1 de maio de 2010

Vocabulário, vocabulários...

Somos bombardeados diariamente com novas expressões em função dos diferentes contextos de uso...Se utlizamos os diferentes termos em seus respectivos contextos de produção, tudo bem, somos bem vistos e aquilo que poderia ser compreendido como uma "verborréia" tecnicista ou mesmo um "latinismo" sem propósito, passa  a ser aceito, pois passa pelo crivo da aceitação, da aceitação social...
Hoje é muito comum encontrarmos expressões do meio virtual presentes nas diferentes situações de uso, sejam elas na dimensão oral ou escrita.
O vocabulário da língua portuguesa, ganha e muito com essas abordagens contextuais e típicas descontextualizadas e não percebemos isso de imediato. Por exemplo, o verbo deletar, de origem latina, "deletare", está presente nos teclados dos computadores e as pessoas o utilizam com maior intensidade no ambiente virtual..." deletei aquele post", " o deletarei do orkut" e assim vai... Mas será que exprime o mesmo efeito de sentido de apagar?
Nós apagamos dos nossos corações, quando queremos -deixarei isso bem claro -  mágoas e sentimentos ruins, mas existe um questionamento...ao apagar um sentimento, o efeito de sentido seria o mesmo de deletar?...seria mais fácil selecionar e depois excluir, logo, o processo ficaria  mais técnico e prático e essa percepção é elucidada pelo verbo deletar, que nos exprime a ideia de definitivo ou pseudo definitivo, pois no meio virtual, tudo é possível, mas tudo bem(...) ...ao contrário o processo ficaria mais emotivo ao utilizarmos o verbo apagar, pois você teria  de escolher por onde começar a executar a ação...e geralmente o processo é penoso e às vezes autodestruítivo...temos dificuldades de apagar sentimentos...por isso, optem por deletar, a objetividade do processo nos distancia das lembranças... Bem essa é apenas uma divagação a respeito de um item, mas temos outros...Por exemplo, você quer conversar com uma pessoa que ao invés de conversar, quer twittar qual  o problema em conversar, é mais fácil teclar, tc?...algumas pessoas forgetem de fazer atividades,  e quando eu digo que precisamos nos ressignifazer, me perguntam, o que é isso? Palavrão?
...a esse verbo dedicarei uma postagem especial...aguardem...

O primeiro comentário...preciso comemorar!!!

Fico intensamente feliz em saber que o meu blog está sendo visitado...rs

Hoje postaria algo referente ao mar, pois estou aqui na praia aproveitando o tempo maravilhoso...corrigindo provas, acredita? Isso mesmo, alunos, não deixei de trabalhar em nenhum momento...rs
Depois voltarei  discuterei algum assunto pertinente...
Até!!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Exagerei????

Após a última postagem, comecei a achar que exagerei...afinal de contas, não cai bem um Professor Mestre em Língua Portuguesa falar "Merda"...mas passadas as horas, verifiquei que é exagero da minha parte achar que isso pode, aquilo não pode...será que isso é verdade?
QUID EST VERITAS? - O que é verdade? Em grego verdade é A-LETEIA, que significa “o que não se esconde”, “aquilo que não passa”...não poderia deixar passar a oportunidade de partilhar aquele texto que tanto me fez rir...mas prometo que partilharei outros textos menos polêmicos...será que serei verdadeiro?...aguardem a próxima postagem...

terça-feira, 27 de abril de 2010

Algumas expressões e seus efeitos de sentido...

Recebi um email com esse texto e compartilho com vocês...o texto pode parecer uma piada, mas em diferentes contextos faz muito sentido...a língua tem dessas coisas, nos surpreende e nos faz refletir e muito...o termo não é o mais formal e nem sempre pode ser utlizado nos registros escritos.Já imaginou se quiséssemos usar seus sinônimos? Experimentem...os efeitos de sentido serão outros...

M E R D A


(Nem o Aurélio definiu tão bem)



A palavra mais rica da língua portuguesa é a palavra MERDA.

Esta versátil palavra pode mesmo ser considerada um coringa da língua portuguesa.



Vejam os exemplos a seguir:

1) Como indicação geográfica 1:

Onde fica essa MERDA?

2) Como indicação geográfica 2:

Vá a MERDA!

3) Como indicação geográfica 3:

18:00h - vou embora dessa MERDA.

4) Como substantivo qualificativo:

Você é um MERDA!

5) Como auxiliar quantitativo:

Trabalho pra caramba e não ganho MERDA nenhuma!

6) Como indicador de especialização profissional:

Ele só faz MERDA.

7) Como indicativo de MBA:

Ele faz muita MERDA.

8) Como sinônimo de covarde:

Seu MERDA!

9) Como questionamento dirigido:

Fez MERDA, né?

10) Como indicador visual:

Não se enxerga MERDA nenhuma!

11) Como elemento de indicação do caminho a ser percorrido:

Por que você não vai a MERDA?

12) Como especulação de conhecimento e surpresa:

Que MERDA é essa?

13) Como constatação da situação financeira de um indivíduo:

Ele está na MERDA...

14) Como indicador de ressentimento natalino:

Não ganhei MERDA nenhuma de presente!

15) Como indicador de admiração:

Puta MERDA!

16) Como indicador de rejeição:

Puta MERDA!

17) Como indicador de espécie:

O que esse MERDA pensa que é?

18) Como indicador de continuidade:

Tô na mesma MERDA de sempre.

19) Como indicador de desordem:

Tá tudo uma MERDA!

20) Como constatação científica dos resultados da alquimia:

Tudo o que ele toca vira MERDA!

21) Como resultado aplicativo:

Deu MERDA.

22) Como indicador de performance esportiva :

O Coritiba não está jogando MERDA nenhuma!!!

23) Como constatação negativa:

Que MERDA!

24) Como classificação literária:

Êita textinho de MERDA!!!

25) Como situação de 'orgulho/metidez' :

Ela se acha o tal e não tem 'MERDA NENHUMA!'

26 ) Como constatação de fato:

' Eu não sou pouca Merda não'

27) Como indicativo de ocupação:

Para você ter lido até aqui, é sinal que não está fazendo MERDA nenhuma!!!

As novas regras ortográficas: variação, arbitrariedade linguistica ou arbritrariedade social?

Eu estou feliz, tive mais de 2000 acessos sob a temática do novo acordo ortográfico. Veja o texto na íntegra. O assunto é bastante complexo...voltarei a falar a respeito, enquanto existir inquietações, haverá debate, discussão e reflexões...
As novas regras ortográficas: variação, arbitrariedade linguistica ou arbritrariedade social?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Linguagem verbal e não verbal


Este vídeo, sugestão de um aluno meu, demonstra claramente a relação íntima entre linguagem verbal e a linguagem não verbal. Geralmente temos a infeliz ideia de que a linguagem  verbal é provida de uma imagem acústica, materializado em palavras,ou seja, signos linguísticos e que a linguagem não verbal é aquela desprovida dessa característica. Mesmo os gestos, desenhos, figuras, elementos  que configuram a linguagem não verbal, remetem ao signo linguístico, ou seja, o não verbal é inconscientemente verbal, pois os nossos pensamentos são linguísticos e a nossa interpretação, leitura de mundo se dão linguisticamente formalizados pela relação entre significado e significante. Este vídeo é ótimo e expressa muito bem essa relação.

sábado, 24 de abril de 2010

Erros...

Na primeira postagem disse que dedicaria uma postagem para falar de erros...
A nossa formação escolar sempre ditou, sobretudo, no que se refere ao estudo de língua portuesa, a noção de erro...essa noção perpetua até hoje...como professor fico imaginando o quanto os alunos sofrem com essa Língua Portuguesa...todos sofremos...ninguém fala corretamente todos os momentos e nos diferentes grupos em que fazemos parte, não utilizamos o mesmo registro de língua...errar faz parte de todo e qualquer tipo de aprendizagem.
A noção de erro, quando pensamos nos modelos educacionais que privilegiam a gramática como elemento principal de estudo da língua, é vista de forma a desconsiderar alguns aspectos fundamentais:
1º - Todos nascemos com uma gramática internalizada, logo, alguns princípios linguísticos do idioma já fazem parte da condição homem enquanto ser pensante e capaz de fazer escolhas...
2º - Quando insistimos em ensinar o que já faz parte da condição humana - a capacidade de se comunicar e se valer dela para atingir um determinado objetivo - tornamos o ensino da língua algo chato, monótono e sem sentido...afinal de contas, para que aprender o que já é naturalmente aprendido?
3º - As instituições - escola, concursos públicos, vestibulares etc,.- privilegiam a norma culta padrão em suas provas, o que incurte na cabeça dos estudantes de que existe uma norma única a ser seguida, quando essa não é seguida, poxa...errei...Carregamos conosco a amargura do medo de errar, antes mesmo de se permitir errar...
" O meu professor de língua portuguesa é mó intelectual, o cara num diz nada errado..." Nesse exemplo, encontramos elementos que fazem parte da modalidade oral e que em um determinado grupo, por exemplo, entre amigos, não caberia de outra forma, pois a formalidade em um ambiente descontraído, utilizar a língua descontextualizada é tornar a linguagem mecânica e sem espontâneidade...
Não quero aqui propagar um movimento contra o ensino da gramática, mas quero salientar que, embora a gramática e os dicionários sejam elementos fundamentais na configuração de um idioma, ela por si só não corresponde ao estudo pleno da língua e linguagem...posso dizer, linguagens...Precisamos saber as diferentes linguagens e utilizá-las nos diferentes contextos de uso...Assim, poderemos ser espontâneos entre amigos e mais formais, em uma reunião, no emprego etc...
Muitos linguístas ,e eu compactuo com eles, não veem transgressões comunicativas - problemas de concordância, por exemplo, como erros, mas como inadequações, pois a linguagem pensada geralmente trangride menos ao modelo institucionalmente privilegiado...essa discussão pode ficar mais filosófica...preciso me conter, mas será que não pensamos sempre? por que será que eu disse  que a linguagem pensada trangride menos? Todo ato linguistico é fruto de uma escolha, mas nem sempre realizamos a escolha certa no contexto certo, por isso que às vezes, ou inúmeras vezes trangredimos o modelo da norma culta padrão...
Nossa eu falo, escrevo muito...mas essa discussão ainda não acabou...
até a próxima postagem...

Voltei

Relutei, mas voltei...não tem como deixar de discutir a linguagem, a voz da nossa alma!

Um dia me questionaram...Existe erro?
A nossa alma erra? a condenamos? a martirizamos a ponto de não deixá-la fazer parte do corpo efêmero e material  da nossa vida? ...acredito que não...
A Comunicação privilegia um sentimento de  solidariedade que considera a alteridade a sua principal aliada...se conseguimos entender o outro e o que esse outro quis expressar, mesmo com os mais diferentes problemas de concordância, coesão e coerência, vocabulário, variantes linguísticas etc., é possível estabelecer a comunição e se houve comunicação e entedimento, não podemos qualificar o modo e a forma de expressão como erro, mas como inadequação...e a esse respeito, dedicarei um novo post!...